O livro de fato é extenso, afinal é uma historia de volume único. Então temos que estar sofrendo de ter a introdução, enredo, e finalização no mesmo livro. Mas apesar das reclamações de muita coisa para um livro só, eu encaro como se fosse a leitura de uma trilogia para me facilitar a linha de pensamento, aproveitando que o calhamaço de fato é dividido em três partes. Então o tamanho dele não me afetou, eu só segui o pensamento que fiz uma leitura contínua de uma saga.
Criticamente falando, acredito que em determinadas partes a narrativa da Helena Marino tende a se detalhar e se entender demais. Devido a ter que fazer mudanças entre a fanfic original e a adaptação para este exemplar ser publicado sem perder a essência do mundo mágico, foi-se colocado a troca do lado mais "mágico" de Harry Potter para ser usado termos mais técnicos de alquimia. Sendo assim, muitos desses termos, acontecimentos, e habilidades a serem usados de alquimia tinham que ser explicados, o que entendo, afinal tem que ser considerado que o leitor é leigo a isso, e de qualquer forma o mundo ao qual estamos sendo introduzidos deve ser devidamente apresentado para entendimento. Porém tais momentos de explicação do acontecimentos me parecem tão extensos em comparação a outros momentos, por exemplo, de mais ação/combate ou de locomoção e mudanças de cenário/tempo, que infelizmente me causavam leves momentos de tédio ao excesso de explicação beirando a livro didático.
A primeira parte da leitura é confusa. Primeiro por estarmos sendo jogados aos termos alquímicos como citei anteriormente, como os acontecimentos que antecederam a vida da protagonista, que parece tão perdida quanto o leitor. Há nomes e personagens demais sendo envolvidos em uma avalanche de acontecimentos trágicos revelados razamente, e de repente uma repetição de pensamentos suicidas da protagonista em meio conclusão de que é a forma mais conclusiva de finalizar o que ela acreditava ser o melhor pra Revolução da Chama Eterna ao qual ela participava e fora perdida para o Vilão (Morrough) da história toda. Somos brevemente apresentados ao Kaine Ferron (Malfoy, para uma referencia), mas pouco sabemos de suas motivações. Aos olhos da narrativa da protagonista, até então, o rapaz apenas parecia mais um sub-vilão egoísta e egocêntrico. Algumas determinadas cenas, que apesar de mais adiante serem “explicadas” e “ressignificadas” não deixam de serem pesadas e podem causar gatilhos. Em específico, as cenas de “supostos estupros”. A frente entendemos que era o “mal menor” na vida da Helena, mas mesmo assim não deixa de ser algo traumático mesmo depois que temos entendimento melhor do relacionamento dos ‘protagonistas’ por assim dizer.
A segunda parte do livro chega em um bom momento, pois claramente já se notava que havia algo de estranho entre Helena e Kaine anteriormente, e a mudança drástica de comportamento e emoções que Ferron demonstrava na frente de Helena deixava tudo mais confuso na narrativa. Com o que foi dito na primeira parte, o leitor conclui facilmente que a lembranças de Marino faltava algo ou tinha sido mexidas, e é aqui que entendemos o que se passa. A segunda parte se inicia no mínimo dois anos antes, onde acompanhamos a guerra entre “bem e mal” sendo travada há anos, e chegando nos seus limites de dominação territorial e talvez a uma conclusão trágica. E é aqui que se aplica meus comentários sobre extensão de detalhamentos em alguns pontos, e falta em outros. Tudo começa sendo mais uma vez com uma leitura lenta, mas agora não tão confusa já que começamos a ser apresentados aos rostos e lugares de nomes citados anteriormente na narrativa, assim como algumas questões ligadas à alquimia. Conseguimos assimilar mais fácil, e sendo assim, a leitura extensa começa devagar e tendo picos de acontecimentos. Me parece raso alguns pulos de tempos, principalmente quando são tratados no mesmo capítulo ou ate mesmo paragrafo, pois são pulo de semanas e até meses em alguns casos, isso se aplica no livro a um todo mas nesta parte do livro é ainda mais comum, e eu entendo, pois se não o livro seria ainda maior do que já é. Mas acredito ter ficado incomodada pois temos demasiados detalhes em uma cena que mal deve ter durado minutos, e de repente duas linhas pra explicar o que aconteceu em duas/tres semanas. Acompanhamos aqui a história entre Helena e Kaine sendo formada, e facilmente assimilamos falas e acontecimentos com algumas cenas confusas até então na primeira parte. Entendemos então as motivações e o famoso passado do vilão de Kaine, e as complicações que Helena passou em nome da Chama Eterna/Revolução. Que daqui pro final do livro percebe-se que quase todos os problemas que a Chama Eterna passou até o momento não passavam de “causa e efeito” deles mesmo devido ao fanatismo religioso que entendemos aos poucos. Infelizmente com isso se cria ranço e raiva de tudo e todos.
A terceira parte então chega em puro sofrimento. Tivemos nossas dúvidas sanadas, e devo dizer que apesar de tudo não notei até agora pontas soltas. Tudo o que precisávamos saber foi explicado e mostrado, até demais. Mas aí que me quebrou ainda mais a pouca expectativa que tive devido a tédio e ansiedade de acabar logo a leitura. Temos cenas de conclusões, mais diálogos com motivações repetidas entre os personagens principais, fica tudo em expectativas de onde vai dar, mais saltos temporais demasiados ralos, e linhas de raciocínio e pensamentos didáticos extensos, e então, personagens que até então ao meu ver ainda mais abaixo que secundários, pois apesar de na narrativa da parte anterior ter tido algumas leves relevâncias, no contexto da história toda não fedia nem cheirava, simplesmente se tornam donos dos clímax por detrás do que vemos aos olhos da Helena. Um personagem, pai de Kaine, até o momento totalmente odiado, tem um lapso de quase falsa empatia e é o salvador da vida do filho. Outra personagem que apesar de sua relevância para a perda da guerra da Chama Eterna - devido sua traição que apesar de compreensível, é bem irrelevante se fosse comparada a passado traumático de outros personagens secundários que ai sim teriam uma motivação mais aceitável para uma traição-, ela aparece agora arrependida e percebendo a merda que fez em troca de nada, literalmente com a solução de Helena e Kaine nas mãos, e some novamente morrendo. O nosso casalzinho quebrado foge, e então o clímax do livro morre total. A conclusão da guerra e o desfecho final do vilão, o que mais esperávamos ver foi totalmente desprovido de detalhes. Não vemos nada, literalmente sabemos o que aconteceu com a finalização do Vilão causador de tanto mal, traumas, de acontecimentos e atos repudiantes, com a nossa protagonista lendo um artigo de jornal numa ilha a milhares de quilômetros de onde tudo acontecia. Uma fuga fácil.
A conclusão de um livro todo foi fácil demais, rasa demais, feliz demais. Helena então totalmente quebrada, traumatizada e sequelada de tudo que passou havia expectativas de como seria sua reação. E Ferron, apesar de ter sido desvinculado com Morrough, ainda havia aquilo: morrera, em um último momento de felicidade quando finalmente tem sua liberdade? Morrerá finalmente salvando quem amava? Vai retornar e acabar com aquele que acabou com sua vida? Helena, vai infartar devido ao coração frágil? Vai ter um último ato de abnegação e pensar em outro ao invés de si? Vai mais uma vez explodir algo, e levar o famigerado vilão junto? Não… a morte do vilão veio pelas mãos de outra pessoa. O casal só foi se adaptando um ao outro em capítulos ralos. Apesar de sempre torcemos pelo melhor no final de um livro, convenhamos que com tudo que aconteceu neste em específico, o final foi manso demais. Me foi frustrante, com sinceridade. Me parece algo plausível de acontecer, mas sendo um mundo fantástico onde tudo pode ocorrer, me pareceu até uma falta de conclusão maior. Os casal merecia uma felicidade de verdade, mas parece ter sido entregue de bandeja pela escritora. Não achei uma leitura ruim, mas ao meu gosto não é algo de ser uma releitura tão cedo.
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